O ambiente tem as costas largas. As empresas e as pessoas não
Até 2030 a indústria automóvel vai ter de reduzir as emissões de CO2 dos ligeiros de passageiros em 37,5%. Um valor muito exigente, que parte de um base que já está colocar as marcas de automóveis em «alerta vermelho»: as 95 g/km.
Apesar dos avisos do setor, é possível que o cenário venha a complicar-se ainda mais, quando forem anunciadas no final deste ano, as novas normas de emissões Euro 7. Este ano é por isso um ano de grandes decisões: o setor tem de reagir à pandemia, recuperar e ainda projetar-se para o futuro.
Não vai ser fácil. Recordo que em 2018, quando as novas metas de emissões foram estabelecidas, os deputados do Parlamento Europeu manifestaram o desejo de ir «ainda mais longe», propondo uma redução de emissões de 40% como «cenário ideal». A indústria pedia 30%, o legislador queria 40%, ficámos pelos 37,5%.
Até vou mais longe. O cenário ideal seria reduzir as emissões a 100%. Seria excelente. Porém, como bem sabemos, é impossível. O pecado original é precisamente esse: o desfasamento do legislador europeu face à realidade. Em nome da causa ambiental — que é de todos e a TODOS deve mobilizar — revêm-se metas e objetivos a uma velocidade impossível de acompanhar pela indústria automóvel e pela sociedade. Reforço a palavra sociedade.
